"Não se esqueçam de mim", diz o inseguro.
Sim! Pois os que não querem ser esquecidos quase nunca o ambicionam por desejarem ser uma inspiração para os outros, mas sim por medo de não se perenizarem entre os que os sucederem, numa ansiedade pagã por viverem nas conversas e nas lembranças dos que chegarem depois deles.
E é assim que muita gente se pereniza na culpa dos seres obrigados a lembrarem-se de doenças, defeitos, vaidades, superficialidades e inseguranças dos que pedem com juras para não serem esquecidos.
Jesus, porém, é diferente!
Ele diz: "Fazei isto em memória de mim!" — e ao assim dizer, Ele institui não a lembrança, mas o fazer.
Jesus não queria ser lembrado por ser lembrado. Se Ele quisesse ser apenas lembrado, teria pedido um busto numa praça, assim como os "evangélicos" gostam de praças da Bíblia e outros "bustos" erigidos à vaidade do poder.
Não! Jamais! Ele não queria ser lembrado e nem mencionado. O que Ele queria era ser obedecido em Seu ensino e modos em amor.
Esqueça Jesus, a menos que você deseje celebrá-lO fazendo as coisas em memória viva de amor por Ele.
"Fazei", diz Ele.
Fazei o quê?
Ora, diz Jesus:
Fazei o amor valer.
Fazei a Graça prevalecer como perdão e misericórdia.
Fazei a simplicidade conquistar os espaços pela alegria simples de servir.
Fazei cada um o outro superior a si mesmo.
Fazei a justiça ser conhecida não como discurso, mas sim como ato da própria vida.
Fazei a palavra ser glorificada pela obediência.
Fazei da vida com Deus a vossa vida entre os homens.
Fazei tudo de acordo com tudo que Eu fiz.
Do contrário, para que se lembrar dEle?
Um Jesus para ser lembrado e não ser obedecido é apenas o Jesus que se celebra como suicídio e morte nos ajuntamentos da religião.
A memória de Jesus é viva - Ele ressuscitou. Daí também a lembrança de Jesus não poder ser romântica e nem apenas "cúltica" ou ritual.
Ter a memória de Jesus é ter a alegria da obediência e do fazer conforme Ele.
"Fazei isto [e tudo] em memória de mim!"
NEle, que só quer ser lembrado se for para ser obedecido,
Caio
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Friday, June 5, 2009
É PRA OBEDECER OU ESQUECER...
Wednesday, June 3, 2009
A VAIDADE DA NOBREZA DO NOSSO LABOR SEM AMOR E FÉ
“Aquilo que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus” Jesus
A maior parte das coisas nobres que nos ocupam não tem valor diante de Deus, da vida como um todo, e, no final, para nós mesmos.
Nós, entretanto, cuidamos de nos dedicar a muitas tarefas da vaidade disfarçando-as de piedade.
As obras do homem são vaidades. Até mesmo as mais nobres são eivadas de vazio de real significado.
Jesus foi o único que viveu as obras de Deus e do homem, até a mais profunda plenitude, no limitado ambiente da existência como a conhecemos.
Ele, entretanto, nada fez!
Sim! O que Jesus fez?
Ora, qualquer discípulo dirá: Jesus curou. Jesus fez o bem. Jesus tirou gente da morte. Jesus deu a alegria do perdão aos que o procuraram. Jesus amou. Jesus morreu. Jesus ressuscitou e apareceu a alguns discípulos. Jesus ascendeu aos céus. Jesus é o meu Deus e Salvador! Jesus voltará! Jesus é o Alfa e o Omega! Jesus é Senhor de tudo e todos!
Aleluia!
Todavia, quase nenhum desses discípulos que confessam tais coisas como sendo “o máximo”, como sendo a obra de Deus por excelência — são capazes de celebrar as mesmas coisas em suas próprias vidas, a menos que elas se façam acompanhar de outras obras.
Quem cura deseja abrir um Centro de Cura. Quem faz o bem quer criar uma ONG. Quem prega tem que abrir uma Missão. Quem perdoa tem que escrever um livro. Quem se pensa morto pensa-se acabado, e deseja entrar para a História. Quem diz que crê na ressurreição foge da morte como pode, e ergue uma Edificação. Quem diz que Jesus voltará, vive sem esperança, embora almeje ser dono de grande Ministério.
Assim, a maior parte das coisas nobres que nos ocupam não tem valor diante de Deus, da vida como um todo, e, no final, para nós mesmos; pois, não são verdade e não são amor.
Para nós a obra de Deus é visível em números, em prédios, em estatísticas, em prestigio, em fama santa, em honestidade intelectual e moral, em interesse social, em escolha das causas do bem, em esforço pela expansão da visibilidade do “Evangelho”, em aparições de discípulos na grande mídia de modo “bom e digno”, em piedade visível aos sentidos mediante a aparência do bem, em dedicação às chamadas “causas da igreja” como “reino”, em serviço aos líderes ungidos, em planejamento evangelístico, em cursos teológicos, em belos templos, em meiguice estereotipada, em vaidades de ser, de estar, de pertencer, de possuir, de aparecer, de ambicionar, de conseguir, de morrer...
Uns querem ser os benfeitores, outros os curadores, outros os profetas, outros os mestres, outros os criadores, outros os melhores repetidores, outros os pensadores, outros os formadores, outros os edificadores, outros os construtores, outros os articuladores, outros os aprofundadores, outros os mais sensíveis, outros os mais ousados, outros os mais instruídos...
Mas ninguém quer fazer a obra de Deus.
A obra de Deus está em fazer a vontade de meu Pai, disse Jesus.
A Vontade de meu Pai...
Fazer a vontade do Pai é a obra de Deus.
Claro! Realizar a vontade é fazer a obra.
A vontade quer ser feita obra na vida do homem que tem volição. A volição humana casada e rendida à vontade de Deus realiza a obra do Pai.
Mas e a vontade do Pai? Quem a sabe?
Ora, essa é sempre a pergunta de quem não quer fazer a vontade do Pai.
É como a pergunta do jovem rico: “O que farei para herdar a vida eterna?” É como a pergunta do bom escriba: “Quem é o meu próximo?” É como a pergunta de Pilatos: “O que é a verdade?”
A Sua Voz de faz ouvir em toda a Terra e as Suas palavras até os confins do mundo!
Até mesmo aquele que nada sabe da revelação de Deus, seja a escrita, seja a encarnada em Jesus, quando teme a Deus e busca o que é bom, sabe qual é a vontade de Deus.
A vontade de Deus se faz impulso operacional em todo aquele que o ama. Pois todo aquele (qualquer um) que ama, conhece a Deus, visto que Deus é amor.
Assim, quem ama é nascido de Deus; e, por isso, carrega a semente divina em si mesmo. E essa semente é amor.
Por isso quem ama conhece a Deus, é nascido de Deus, e, por tal razão, ama a todo aquele e a tudo aquilo que por Deus foi gerado.
Ora, quem quer que em qualquer lugar ou mundo tema a Deus e ame o seu próximo, esse conhece a Deus, pois, Deus é amor.
Assim, esse tal (sem nome, sem escola, sem revelação, sem instrução, sem ensino, sem filosofia, sem teologia, sem religião, sem informação histórica, e sem nada que julguemos essencial ao saber, ao ser, ao edificar, ao alcançar, ao ambicionar, e ao atingir), conhece a Deus mais do que teólogos, mestres, educadores, pastores, sacerdotes, eruditos, etc. — se esses sabem, mas não vivem; se instruem, mas não crêem; se confessam, mas não encarnam; se labutam, mas na inércia; se acumulam, mas não conduzem nada ao coração.
Para saber a vontade de Deus basta amar de verdade. Quem ama sempre sabe o que fazer. Mas amor aqui é amor. É amor conforme Deus.
Ninguém jamais viu um ser humano cheio de amor sem saber o que fazer!
O amor que não faz a vontade de Deus é romance religioso e teológico!
No fim, somente no fim, é que a maioria quase absoluta descobre — já na virada, na passagem — que labutou por importâncias que não importavam, e que deu de si ao que não era; pois, não realizava a vontade do Pai, mas apenas atendia às demandas das nobres ocupações dos que vivem para falar, dizer, almejar, ensinar, e lamentar, mas que nada fazem, pois, o que fazem não enche o coração, posto que o coração só se realiza na obra simples do amor.
O resto é a piedosa e vã nobre vaidade orgulhando-se de sua nulidade!
Sem amor nada me aproveitará!
Pense nisto!
Caio
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Tuesday, June 2, 2009
O DIFÍCIL RETORNO AO ESSENCIAL
"Voltar ao primeiro amor" é o mesmo que dizer volta à "Videira Verdadeira", retorna à seiva da Vida, volve ao lar e à intimidade do Pai, busca e fica no que um dia já foi "a melhor parte" para você.
O "primeiro amor" aniquila qualquer que seja a outra forma de amar. Quando Jesus falou isto, no Apocalipse, o que Ele via era a Igreja em Laudiceia amando a ortodoxia, a doutrina certa, e o compromisso com o que é correto.
Tudo muito bom, mas tudo muito morto!
Sim! Lindo para a religião dos fiéis contra os infiéis, mas totalmente nulo ante Aquele que não nos chamou para amar doutrinas, mas sim a Ele, e isso numa relação pessoal, ou mesmo numa relação de natureza conjugal, conforme Deus com Israel e Cristo com a Igreja. Ou seja: uma relação de amor que me põe casado com Deus em amor e verdade.
Quem perdeu o primeiro amor perdeu a paixão da fé, o surto de carinho quebrantado por Jesus, e tornou-se acostumado ao Sublime, sofrendo de cinismo sensorial, intelectual, psicológico e espiritual.
Sabe muito. Às vezes pensa que até sabe tudo. Mas doutrina não é Deus e Deus não é doutrina. Deus é amor, e o justo vive pela fé, e a fé tem que ser surto de confiança em Deus, por amor. Assim, o que é a doutrina quando o que a faz valer é a verdade do vinculo de amor por Deus?
Quando Jesus falou do "ramo" que pensa que pode existir e viver fora da Videira Verdadeira, Ele falou da presunção humana, em geral provocada pelas seguranças que a religião, a moral, a ética e filosofia, muitas vezes, supostamente concedem ao tolo que não sabe que qualquer dessas coisas não vale para Deus mais que um bolo de dejeto de vaca no curral. Aliás, qualquer dejeto vale mais para Deus do que esse "bolo" que procede da presunção da autonomia humana em relação ao amor ao Senhor e aos Seus filhos.
Ora, se Paulo disse que "sem amor nada aproveitará", ele quis dizer exatamente o que disse. Sim, pois nada será em significado para Deus se não existir pelo amor, posto que como Deus é amor, só é de Sua essência aquilo e aquele que é em amor.
As demais coisas existem. Mas somente o que é em amor é de fato para Deus!
O amor é a única matéria que existe em qualquer construção para a eternidade!
O "ultimo amor", segundo Jesus no Apocalipse, é feito de obras, de feitos, de atividades, de performances justas e sérias, de ortodoxia, de respeitabilidade que zela por si mesma como imagem coerente, e que diz que tudo isto é assim porque a pessoa ou a instituição representam Jesus no mundo.
É mais cômodo falar de amor do que amar, criar entidades que sirvam à comunidade do que amar a uma pessoa; é mais fácil criar o que for como obra de bondade do que ser bom e simples, sem observadores e sem testemunho a dar, mas apenas por que o amor é o fruto natural da Árvore de Vida da qual se é somente um ramo.
É mais fácil cozinhar para Jesus e limpar a casa para Ele, do que ficar quieta aos pés Dele, deixando a verdade revelar o próprio coração. Marta fugia da grande entrega. Maria descobrira que o mundo acabara depois de ela ter Visto Jesus.
Mas crer como se crê no início [como uma criança] é coisa que a nossa "maturidade" repudia. Afinal, para que descobrir, aprender sempre, sorrir de tudo o que é belo e novo, deixar-se surpreender, e entregar a vida às decisões invisíveis do Amor? Sim! Para que confiar na fidelidade invisível do amor de Deus? E por que dar valor absoluto àquilo que o mundo nem admite que seja verdade ou realidade?
É por tudo isto que é muito difícil voltar ao primeiro amor. Sim! Depois de tanta história e experiência? Depois de tanta realidade? Depois de tanto estrada fora do caminho sobremodo excelente? Sim! A gente fica cínico e curtido! A gente fica "casca grossa", como de diz na linguagem do Jiu-jitsu. Pois para cada fato novo tem-se uma história nossa. Para cada milagre a gente tem dezenas para contar. Para cada ação de Deus existem as Dele para conosco, as quais compõem o nosso livro de Atos Pessoais.
E pior: dependendo da pessoa o que nela se instala é descrença mesmo, e, assim, mantém-se na Estrada, porém fora do Caminho, aparte da Videira, fabricando amor para ela mesma nos outros, mas longe do primeiro amor em Deus.
Assim, nenhuma conversão é mais difícil do que aquela que nos leva do último amor feito de obras, ao primeiro amor feito de amor, de amor que dá fruto sem ter que fazer nada, assim como as mangueiras aqui de casa se derramam em mangas às centenas sem que isto lhes seja um esforço ou mesmo uma tarefa. Elas não se gloriam das mangas que dão.
Elas mangam porque são mangueiras. Mangar significa fazer pouco. Dizer que elas mangam é dizer que elas fazem pouco. Assim, as mangueiras mangam das obras que não são simplesmente a vagabundagem da natureza que dá o que dá apenas porque é o que é e como é.
Não caia no engano de pensar que porque você criou uma fábrica de obras isso significa que você está dando fruto para Deus.
Em Deus somente o amor dá fruto, e sem amor nada é além de obra. Obra que outros aproveitarão, mas que para você de nada aproveitarão. Jamais!
O que escrevi já basta por hoje!
Pense e ore. E o que aqui está levará você da Estrada para o Caminho sobremodo excelente.
Nele, que é amor e que só ama com amor e que só chama de verdade o que é feito de e com amor,
Caio
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Monday, June 1, 2009
O MAIOR É O QUE MAIS SERVE
Nele (Jesus) a gente aprende que a diaconia é ato cotidiano e relacional, e não produto de uma função setorizada com hora marcada em lugar específico, durante certo evento promovido, conforme escalas pré-estabelecidas.
Nele, o maior é o que mais serve em amor!
No Serviço, o maior tem o tamanho de uma criança (Lucas 9.46);
...o maior é João, que nasceu 'servo' e morreu 'servido' numa bandeja;
...o "maior" é o bom samaritano que nem sabia que estava servindo a Deus, pois só fazia o seu próprio caminho;
...o "maior" é a prostituta curvada que ministrou com lágrimas o banhar de Seus pés e os enxugou com os cabelos;
...o "maior" são as anônimas mulheres que o serviam com seus bens;
...o "maior" é o que veste Jesus e o visita na cadeia, e não os que em nome dele operam milagres e expulsam demônios, sem contudo nada amar senão a si próprios, seus ventres e contas correntes!
Marcelo Quintela
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